O preço do petróleo disparou mais de 3% na sessão de 12 de julho, reagindo a uma nova troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irão. A escalada da tensão no Médio Oriente está a perturbar os mercados energéticos globais e a fazer soar alarmes sobre o impacto nos preços dos combustíveis e na inflação em Portugal.
O que está a acontecer no Médio Oriente?
De acordo com o Jornal de Negócios, os novos confrontos entre Washington e Teerão voltaram a colocar o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — no centro das atenções. Qualquer disrupção nesta rota marítima estratégica tem consequências imediatas nos preços da energia a nível global.
As bolsas asiáticas fecharam em baixa esta segunda-feira, com o índice de referência sul-coreano KOSPI a ser particularmente afetado pela derrapagem de 15% da SK Hynix, num movimento que reflete o nervosismo dos investidores perante a incerteza geopolítica.
AIE vê abundância de crude, mas escassez de refinados
Num sinal misto para os mercados, a Agência Internacional de Energia (AIE) indicou que existe abundância de petróleo bruto a nível global, mas alertou para uma menor disponibilidade de gasolina e gasóleo. As refinarias do Médio Oriente reduziram a produção e, na Rússia, várias unidades foram atingidas por ataques da Ucrânia.
Esta escassez de produtos refinados é particularmente relevante para Portugal, um país que importa a quase totalidade dos combustíveis que consome.
Impacto direto em Portugal
Combustíveis mais caros
A subida do preço do petróleo traduz-se, com um desfasamento de dias ou semanas, em aumentos nos preços dos combustíveis nos postos de abastecimento portugueses. Gasolina e gasóleo deverão registar novas subidas nas próximas semanas se o Brent continuar a negociar em alta.
Pressão sobre a inflação
O aumento dos combustíveis tem um efeito em cadeia na economia: sobe o custo dos transportes de mercadorias, sobe o custo da produção industrial, e os preços ao consumidor final acabam por refletir essa pressão. Num momento em que o BCE tenta consolidar a descida da inflação, esta escalada energética pode complicar o calendário de cortes nas taxas de juro.
Euribor e crédito habitação
A incerteza geopolítica e a pressão inflacionista tendem a manter as taxas Euribor em território elevado. A taxa a 12 meses já subiu para 2,831% a 10 de julho, e novas tensões no Médio Oriente podem prolongar este ciclo de taxas altas — o que significa prestações da casa mais elevadas durante mais tempo para as famílias portuguesas.
O que pode fazer?
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Fontes: Jornal de Negócios, idealista/news, AIE