Os promotores imobiliários estimam que Portugal precisa de construir 70 mil novas habitações por ano para dar resposta à procura atual, um número muito acima do que está a ser produzido atualmente. O alerta foi dado ao idealista/news e reflete um défice habitacional estrutural que continua a pressionar os preços das casas em todo o país.
Um défice que não para de crescer
O problema da habitação em Portugal não é novo, mas os números são cada vez mais expressivos. Nos últimos cinco anos, o número de casas novas colocadas à venda mais do que duplicou — e ainda assim, a procura continua a absorver toda a oferta disponível.
Este desequilíbrio entre oferta e procura está na raiz da escalada dos preços. Com o Banco de Portugal a reportar que a avaliação bancária das casas já ultrapassou os 2.200 euros por metro quadrado — um novo recorde histórico —, a acessibilidade à habitação torna-se um desafio crescente para as famílias portuguesas.
Stock de crédito habitação no máximo desde 2003
A procura por habitação reflete-se diretamente no crédito bancário. Em maio de 2026, o stock de crédito habitação atingiu 115,7 mil milhões de euros, um crescimento homólogo de 10,8% — o maior desde fevereiro de 2003.
Este aumento do crédito é impulsionado tanto pela subida dos preços das casas (que obriga a financiamentos mais elevados) como pelo receio de que as novas regras do Banco de Portugal — que entram em vigor a 1 de agosto, reduzindo a taxa de esforço máxima de 50% para 45% — possam dificultar o acesso ao crédito no futuro próximo.
O que significa para quem quer comprar casa?
Preços continuam a subir
Enquanto a construção não acompanhar a procura, os preços das casas tendem a manter a trajetória de subida. A escassez de oferta é particularmente sentida nos grandes centros urbanos — Lisboa, Porto e Algarve — mas já se estende a cidades médias como Leiria, Coimbra e Braga.
Spreads competitivos são ainda mais importantes
Com o valor das casas em alta, cada décima de ponto percentual no spread do crédito habitação pesa mais no orçamento familiar. Um financiamento de 200.000 euros a 35 anos poupa cerca de 4.400 euros em juros com uma redução de 0,2 p.p. no spread.
Antecipar as novas regras do BdP
A partir de 1 de agosto, a taxa de esforço máxima recomendada pelo Banco de Portugal baixa para 45%. Para um agregado familiar com rendimento líquido de 2.000 euros, isto significa que a prestação mensal máxima recomendada passa de 1.000 euros para 900 euros — uma diferença que pode inviabilizar a compra da casa pretendida.
Se está a planear comprar casa, avançar com o processo antes de agosto pode fazer a diferença entre conseguir ou não a aprovação do crédito.
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Fontes: idealista/news, Banco de Portugal