Taxa mista ainda domina, mas portugueses voltam a olhar para a taxa variável
A taxa mista continua a ser a escolha preferida das famílias portuguesas na contratação de novo crédito habitação, mas está a perder peso. De acordo com o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito divulgado pelo Banco de Portugal, a taxa mista representou 75% do novo crédito habitação em 2025, uma descida face aos valores de 2024.
O relatório, publicado a 23 de junho, confirma uma “substituição parcial de contratação a taxa mista” por contratos a taxa variável, num contexto em que a Euribor — o indexante de referência para a maioria dos empréstimos em Portugal — tem vindo a descer gradualmente.
Por que razão a taxa mista continua a liderar?
A taxa mista oferece um compromisso entre segurança e flexibilidade: os primeiros anos (normalmente 2 a 5) têm uma taxa fixa, que protege a família de subidas inesperadas da Euribor, seguidos de um período em taxa variável, que beneficia da Euribor quando esta está em queda.
Este perfil é especialmente atrativo para famílias que:
- Querem previsibilidade na prestação durante os primeiros anos do empréstimo
- Não querem correr o risco de uma subida abrupta da Euribor nos próximos 2-3 anos
- Pretendem beneficiar de taxas mais baixas no futuro, quando a Euribor normalizar
A taxa variável está de volta?
Com a Euribor a 12 meses atualmente nos 2,785% e a 6 meses nos 2,606% — valores significativamente abaixo dos 4% registados em 2023 — há cada vez mais famílias a considerar a taxa variável como uma opção viável.
A diferença na prestação mensal pode ser relevante. Para um empréstimo de 150.000 euros a 30 anos:
- Com taxa mista (fixa a 3,5% nos primeiros 5 anos): prestação de cerca de 673 euros
- Com taxa variável (Euribor 6M + spread 1%): prestação de cerca de 609 euros
Uma diferença de 64 euros por mês que, ao fim de 5 anos, representa quase 3.800 euros de poupança.
Qual escolher em 2026?
Não há uma resposta única. A escolha entre taxa mista e variável depende do perfil de risco de cada família, do orçamento disponível e das expectativas quanto à evolução da Euribor.
O que é certo é que, com o Banco Central Europeu a manter uma política monetária cautelosa face à incerteza geopolítica, as taxas Euribor deverão permanecer estáveis ou ligeiramente em queda nos próximos meses — o que continua a favorecer quem opta pela taxa variável.
Fonte: Banco de Portugal — Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito (junho 2026), idealista/news
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